segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

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Teste do Pezinho, da Orelhinha e do Olhinho

Baratos, simples e rápidos, testes do Pezinho, Olhinho e Orelhinha têm eficiência comprovada na prevenção de deficiências.



por Marcos Paulo da Silva

Eles duram poucos minutos mas podem influenciar uma vida toda. Diminutos nos nomes, os testes de diagnóstico precoce em recém-nascidos - apelidados de Pezinho, Orelhinha e Olhinho - são grandes amigos da saúde pública. Realizados nos primeiros dias de vida das crianças, esses exames podem revelar deficiências que mesmo as mães não poderiam imaginar.
“Se já se sabe que aquele ser humano que está ali nascendo pode ter algum problema, os métodos de prevenção e reabilitação podem ser iniciados, fazendo com que a criança não tenha prejuízos no futuro”, afirma a fonoaudióloga Adriana Sampaio de Almeida Meyer, da equipe interdisciplinar do Centrinho/USP.
O mais conhecido dos exames é o Teste do Pezinho. Instituído como exame obrigatório pela legislação brasileira desde 1990, o teste já era realizado obrigatoriamente no Estado de São Paulo desde 1983. Trata-se de uma triagem neonatal realizada pelos médicos pediatras com o objetivo de diagnosticar doenças que, se não tratadas precocemente, podem conduzir a graves prejuízos, inclusive a deficiência mental.
“Os programas de Teste do Pezinho são eficazes na identificação do doente, no rápido contato com a família dos casos positivos e início do tratamento e montagem de uma rede de pediatras capacitados para controle desses casos crônicos”, explica o médico pediatra Clóvis Celulare, que integra a equipe do Centrinho/USP.
Realizado geralmente após as primeiras 48 horas de vida do bebê e antes do sétimo dia de vida, o teste pode diagnosticar a fenilcetonúria (doença hereditária que pode provocar lesões graves e irreversíveis no sistema nervoso central, como a deficiência mental); o hipotireoidismo congênito (causada pela ausência parcial ou total da tiroxina, um hormônio imprescindível para o desenvolvimento normal de todo o organismo, inclusive do cérebro) e as hemoglobinopatias, dentre as quais a anemia falciforme (que pode provocar graves dificuldades de circulação e oxigenação do sangue).
Celulare explica que atualmente há versões mais completas do Teste do Pezinho que ampliam o alcance do diagnóstico para outras doenças, como é o caso da toxoplasmose, HIV e outras hemoglobinopatias. “A única limitação desse maior espectro da triagem é o custo”, afirma o pediatra.
Teste da Orelhinha
Além do popular Teste do Pezinho, outros exames neonatais - que cada vez mais ganham destaque pela eficiência dos resultados - são os testes da Orelhinha e do Olhinho. Com resultados práticos comprovados, o Teste da Orelhinha é feito no próprio berçário, geralmente no segundo ou no terceiro dia de vida.
As estatísticas comprovam a importância do exame. Dados da Sociedade Brasileira de Otologia indicam que de cada mil crianças nascidas no país, de três a cinco já nascem com deficiência auditiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 15 milhões de brasileiros possuem problemas auditivos.
Para a fonoaudióloga Adriana Meyer, qualquer recém-nascido pode apresentar problema auditivo ao nascimento ou adquiri-lo nos primeiros anos de vida. Isso pode ocorrer mesmo quando não há casos conhecidos de surdez na família ou fatores de risco aparentes.
“Crianças com perda auditiva diagnosticada ao nascimento e com tratamento precoce apresentam desenvolvimento muito próximo ao de uma criança ouvinte”, explica a fonoaudióloga. Os primeiros 6 meses de vida são decisivos para o desenvolvimento futuro da criança deficiente auditiva.
O teste em si é rápido. A duração aproximada do exame é de 5 a 10 minutos, não apresenta contra-indicação, não incomoda e não acorda o bebê. O teste também não exige qualquer tipo de intervenção invasiva. Pelo contrário, ele é bem simples. Por meio de uma pequena sonda, são verificadas as emissões otoacústicas da criança. Essas ondas são sons provenientes da cóclea, órgão sensorial responsável pela audição. As emissões otoacústicas estão presentes em todas as pessoas com funcionamento normal do ouvido. “O método não visa quantificar a deficiência auditiva, mas detectar sua ocorrência”, esclarece Adriana Meyer.
O Teste da Orelhinha ainda não consta como obrigatório na legislação brasileira. Em algumas cidades, por força de leis municipais, o teste é aplicado nas maternidades.
Teste do Olhinho
Assim como o Teste da Orelhinha, o Teste o Olhinho não consta como obrigatório na legislação brasileira. Mas sua importância no diagnóstico precoce de problemas nos olhos, somada à simplicidade, rapidez e baixo custo, tem incorporado o teste à rotina de recepção do bebê.
“Com esse teste muitas doenças precisam ser tratadas precocemente”, afirma o oftalmologista Flávio Rodrigues e Silva.
O exame costuma durar de dois a três minutos e é feito no próprio berçário. O teste pode detectar precocemente doenças como tumores, catarata congênita, traumas de parto, hemorragias, inflamações, infecções e malformações. Tais alterações podem atingir cerca de 3% dos bebês em todo o mundo.
Durante o Teste do Olhinho, realizado pelo pediatra, é usada uma fonte de luz (oftalmoscópio) para se observar o reflexo que vem das pupilas. O reflexo vermelho normal (em tons de vermelho, laranja ou amarelo, dependendo da incidência de luz e da pigmentação da retina) significa que as principais estruturas internas do olho estão transparentes, permitindo que a retina seja atingida de forma normal.
“Quando é detectada alguma alteração, o pediatra deve encaminhar a criança para um oftalmologista, pois alguma patologia pode estar presente e haver alguma alteração que tire esse brilho natural”, esclarece Rodrigues e Silva, que treinou cerca de 30 pediatras para a realização do teste.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 16,5 milhões de brasileiros (10% da população) sofrem de algum tipo de deficiência visual. Estima-se que de 20% a 30% desse total seja formado por crianças.





 

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